A última carta.

Posted quinta-feira, 12 de março de 2015 by Hannar
Oi!
Faz um tempo que percebi, uns 3 meses. Confesso que adiei bastante escrever essa última carta, mas, como ciclos, isso também tinha que acabar. Saindo do comum e pensando um pouco em mim, eu fiz bem em demorar a vir aqui. Era preciso assimilar o que aconteceu, ter forças pra entender o porquê de nunca ter dado certo e seguir em frente. Apesar de ter plena consciência de que tu nunca vais ler essas palavras, não quero te expor e, por isso, não vou contar teu segredo em uma página aberta na internet.
Foi em uma noite de insônia que saquei tudo. O pior é que, apesar da tua discrição, era tudo tão óbvio, de repente, tudo fez sentindo, tudo o que não se encaixava, se encaixou. As coisas que tu me falaste há uns tempos atrás que, no dia, não fizeram sentido (sobre a simbologia da música Avesso, do Jorge Vercilo), teu modo de se vestir, tua indiferença, tua postura, entre tantas outras coisas.  Além desse teu segredo, eu saquei também que sempre soube de tudo e, mesmo assim, escolhi fechar os olhos e não acreditar. Aquela noite eu senti como se o chão tivesse resolvido se esconder dos meus pés, eu senti como se meu coração tivesse resolvido sair de mim, como se, além de mim, todo o mundo quisesse fugir. Eu vasculhei coisas de anos atrás pra descobrir isso (não preciso nem dizer que visitei páginas e páginas do terceiro também). Mais uma vez, eu passei a noite em claro por tua causa. Foi igual e diferente ao mesmo tempo. Apesar de eu não ter dormido, quando o dia chegou, eu era outra. Ou estava começando a ser outra, não sei. Admiti pra mim mesma que eu tava vivendo esse conflito sozinha (essa carta é o ultimo episódio desse conflito solitário, eu juro.). Enfim, eu poderia excluir tudo o que já escrevi pra ti, ao invés de escrever essa carta, mas, como tu não vais ler, não faz diferença.
Tudo o que eu queria na minha vida era te ter por perto, sentir teu cheiro, tua voz, saber, de alguma forma, que eu era significava alguma coisa pra ti. Infelizmente não deu, não é? Quem sabe em alguma outra vida a gente se cruza e tenhamos gostos que se encaixem, rs. Na minha vida, eu nunca encontrei alguém tão parecido comigo, alguém com quem eu não tinha medo de ser eu mesma, alguém que eu sabia que me entenderia. Mas, a vida é feita de escolhas, e eu não posso fazê-las por ti. Agora, a maior declaração de amor pra nós dois que eu posso fazer é conceder a liberdade. A liberdade pra que tu alcance tudo aquilo que te faça bem, e a liberdade pra mim também que, apesar dos tropeços, mereço encontrar meu caminho. 
Talvez tu esqueças da minha existência quando passarem muitos e muitos anos. Mas, eu vou sempre lembrar de ti com carinho, como o alguém que me fez experimentar a forma mais plena do amor, a pessoa que me fez sonhar um dia construir uma família, viver uma vida de mamãe e papai. Apesar de não ter dado certo, eu agradeço muito tua passagem pela minha vida porque eu posso dizer que encontrei alguém que se pareceu tanto comigo que me fez ter certeza de que eu não sou uma estranha nesse mundo.
Quando tu entraste na minha vida, meu coração se encheu de felicidade. Eu me sentia completa, feliz, plena. Nossa, que saudade da pureza da época que nos conhecemos. Depois, quando aconteceu a tragédia do nosso afastamento, aquele drama todo envolvendo nós dois e a ''A'', o nosso afastamento, meu outro relacionamento, os anos que passamos afastados, enfim, minha vida ficou pesada, tensa. Mas, quando nos reaproximamos, no final de 2013, eu queria tu soubesses, eu acho que poucas vezes senti uma felicidade tão grande na minha vida. Eu ria à toa, sentia vontade de cantar, pular, comemorar cada vez que tu vinhas falar comigo, cada palavra, tudo! Me senti uma adolescente, de novo. Lamento muito que eu quis tudo isso sozinha, que não fosse pra ser, :( Eu espero, do fundo do meu coração, que tu sejas feliz. Com essa pessoa que tu ama, ou qualquer outra, ou sozinho, enfim, do jeito que a felicidade vier. Eu vou seguir meu caminho, livre da leveza pesada que era tu, frequentemente, em meus pensamentos. Chegou a hora de te guardar bem lá no fundo e não cutucar mais. Eu sofri muito e só quero encontrar minha paz, agora, cumprir minhas missões, enfim, seguir minha vida. Um beijo na alma, fica com Deus, seja feliz.


P.S.: Esse blog, durante o tempo que escrevi as cartas, se chamava ''Cartas para um Amor''. Eu não vou excluir o blog porque gosto de escrever e pretendo continuar escrevendo aqui, mas não faz sentindo o nome dele continuar esse, porque agora ele terá um outro propósito.

Com amor e saudade, 

H.A. -----> R.A.

0 comentários:

Postar um comentário